Pelo terceiro ano consecutivo, em 2014 foram as micro e pequenas empresas que sustentaram o saldo positivo de geração de vagas no país, segundo levantamento feito pela FGV Projetos em parceria com o Sebrae, com base nos números do Ministério do Trabalho. Conforme o estudo, de janeiro a novembro do ano passado, essas empresas criaram 794 000 postos de trabalho, enquanto as grandes fecharam 112 000. 
No site de empregos Catho, os pequenos negócios foram responsáveis por 40% das vagas divulgadas em 2014, uma ligeira vantagem sobre as grandes (37%). É a primeira vez que isso ocorre. “Até 2013, eram as grandes que lideravam a publicação de anúncios”, diz Luís Testa, diretor de pesquisa e estratégia da Catho.
Em 2015, o cenário deve se repetir. Segundo a Pesquisa de Expectativa de Emprego, da consultoria ManpowerGroup, com 851 companhias, 18% das micro, pequenas e médias planejam ampliar o número de empregados, intenção compartilhada por 13% das grandes companhias.
Uma das explicações para as melhores perspectivas de contratação nas empresasde menor porte está na desaceleração da economia, que faz com que as grandes empresas cortem custos. “Elas acabam optando pela terceirização de atividades, contratando pequenas e médias empresas, em vez de aumentar seu quadro”, diz Ricardo Rochman, da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas.
O economista aponta outras razões para considerar a migração para uma pequena empresa em 2015. “Elas costumam ser mais ágeis, menos burocráticas, e tendem a inovar mais frequentemente do que as grandes empresas”, afirma Ricardo. 
1º argumento: Segurança
Para Riccardo Barberis, CEO da ManpowerGroup Brasil, as pequenas e médias podem representar maior segurança para os profissionais num ano de instabilidade no mercado. “A pequena empresa convive com a dificuldade de reter seus talentos e sabe que a perda de capital intelectual tem um peso maior em sua estrutura, por isso tende a ser mais cuidadosa  com os desligamentos do que as grandes”, diz ele. 
2º argumento: Bom para a carreira
Ir para uma empresa menor  — algo que já foi visto como um passo atrás — pode representar crescimento profissional. “Meu salário já superou bastante o que eu ganhava antes”, diz a engenheira Adriana Avó, de 38 anos, diretora de relacionamento da Mobly, site de venda de móveis, de São Paulo. Em 2011, quando saiu da Gafisa, onde era gerente, a Mobly estava no ar havia três meses e empregava 50 pessoas (hoje são 560). “Foi uma decisão de risco, mas ajudei a construir a cultura da empresa", diz Adriana. 
3º argumento: Autonomia
A possibilidade de fazer a diferença nos rumos do negócio faz com que muitas pessoas troquem as empresas grandes pelas menores. “Uma forte frustração de profissionais de grandes organizações é a morosidade nas decisões, porque um projeto pode demorar meses e até anos para sair do papel”, afirma André Rapoport, diretor-geral da Right Management, empresa especializada em gestão de carreira e talentos, de São Paulo. “As pequenas oferecem a oportunidade de liderar projetos que tragam resultados em curto espaço de tempo e permitem negociar diretamente com o dono seu esquema de trabalho”, diz Luís Testa, da Catho. 
4º argumento: Menos pressão
A busca por uma vida mais equilibrada fez com que Manuela Cardoso de Castro, de 31 anos, optasse por trabalhar na Brasil Pré-Pagos, empresa de 60 funcionários, de Campinas, onde é gerente de produto há três meses. No emprego anterior, uma empresa de logística, Manuela não tinha a flexibilidade de horários que desejava. “Recentemente, pude acompanhar minha mãe em uma cirurgia e ainda trabalhei meio período no dia seguinte”, diz Manuela, que teve seu primeiro filho em 2014.  “Quando se é mãe, flexibilidade de horário tem muito valor", afirma.
5º argumento: Aprendizado intenso
Pode faltar investimento em cursos e auxílio-educação por não haver orçamento, mas, segundo os profissionais que ­atuam nas pequenas, isso é compensado pelo aprendizado intenso que elas proporcionam, por demandar profissionais versáteis e polivalentes. “Você se torna responsável por um conjunto de resultados que, numa empresa grande, dividiria com um grupo de pessoas”, diz o engenheiro de computação Fabio Caldeira, de 36 anos, que trocou a P&G pela desenvolvedora de softwares Dextra, de Campinas, onde ocupa o posto de executivo de contas. 
3 possíveis dificuldades
Projetos modestos 
• Fabio Caldeira, da Dextra, alerta que os profissionais que fazem esse tipo de transição devem se preparar para as diferenças de estrutura e rotina das pequenas, como não ter verba para determinados projetos.  “Os profissionais têm de calibrar as expectativas para não se frustrar”, afirma Fabio. “Não há certo ou errado nos dois modelos, apenas maneiras diferentes de fazer, que funcionam para os dois tamanhos”, diz. 
Decisões subjetivas 
• Se a hierarquia menor das pequenas e médias empresas favorece maior autonomia e proximidade da presidência, o outro lado dessa moeda são as decisões subjetivas e as relações mais pessoais. “As decisões numa empresa pequena podem ser muito intuitivas, já que o poder se concentra numa única pessoa”, afirma André, da Right Management.
Crescimento irregular: 
• Outro ponto a ser considerado é que, apesar da maior velocidade nas promoções, as possibilidades de crescimento são limitadas, com menos postos para galgar. “Tem-se uma área de negócio só e pode não haver filiais”, diz André Rapoport.